
O diálogo não é um luxo, é uma necessidade. Não há como fazer o mundo avançar sem começarmos a falar uns com os outros
Menu da edição:
⭐ - POV: Mari Galindo em Davos 2026
🔥 - Sabooour tendência: Os relatórios genéricos que você anda lendo
⬇ - A lista de comportamentos de consumo da Forbes 2026
🔮 - Tendências globais de consumo, Social Media 2026 e COVID aesthetic
⭐ DESTAQUE
POV: Fui parar em Davos 2026
Escrito por Mari Galindo
Davos é uma cidade que literalmente exala poder. Sempre tive curiosidade de viver o WEF de perto, achando que seria um sonho distante, até que a oportunidade surgiu e eu fui.
Lá, política, economia e inovação se misturam o tempo todo, e a edição de 2026 reuniu mais de 850 líderes globais moldando, ao vivo, os rumos do mundo. É um ambiente ainda muito masculino e mais velho, onde as casas priorizam conteúdo em vez de “experience”. E o tema dominante, sem surpresa, foi Inteligência Artificial: do futuro do trabalho à nova lógica da criatividade.
Abaixo, deixo 5 conversas essenciais para quem quer entender o espírito de Davos este ano:
Uma visão provocadora sobre dados, poder e tecnologia como infraestrutura de influência num mundo cada vez mais instável.
A perspectiva da União Europeia em um momento de tensões geopolíticas e reconfiguração global — um lembrete de que valores e alianças ainda importam.
Um mergulho sobre como a IA está redefinindo infraestrutura, trabalho e toda a cadeia produtiva — muito além dos modelos de linguagem.
Uma conversa direta sobre como a IA está transformando sociedade, economia e oportunidades de mercado.
Uma análise precisa sobre risco, poder e a reescrita da ordem econômica global.
Foi uma experiência cinematográfica mas que também escancara um contraste necessário: apesar do glamour, vivemos um momento em que a globalização ficou seletiva e a estabilidade virou um recurso raro.
🔥 ASSUNTOS EM ALTA
SaBOOOOUUr Relatório: 73% dos Relatórios de Tendências Analisam Fenômenos Com Menos de 30 Dias e dizem a mesma coisa
Se você trabalha com planejamento ou estratégia de marca, provavelmente já recebeu pelo menos três relatórios de tendências nas últimas semanas prometendo decifrar a Gen Z para 2026. O problema? A maioria deles diz exatamente a mesma coisa.
Esta edição traz uma análise diferente: por que a indústria de pesquisa cultural está produzindo insights genéricos, e o que sua marca pode fazer para sair dessa armadilha.
O Paradoxo da Abundância
Em 2025, foram publicados 135+ relatórios de tendências por consultorias, agências e empresas de tecnologia. Nunca tivemos tantos "analistas de vibe", futuristas e oráculos do TikTok tentando prever o futuro. Alexi Gunner, estrategista cultural que trabalha há 15 anos com marcas como Nike e Spotify, identifica o problema central em artigo publicado em 15 de janeiro no Substack idle gaze: falta imaginação, criatividade e curiosidade genuína.
O Problema com a Metodologia Tradicional
Desde os anos 90, a indústria de pesquisa cultural opera com o conceito de "sinais fracos" - indicadores discretos que sugerem mudanças culturais, e que irão ganhar força e virar “tendência”, como o seu Labubu em junho passado. Gunner propõe reorientar para "sinais estranhos" - comportamentos e fenômenos que parecem bizarros ou fora do lugar, mas que indicam rupturas sistêmicas não antecipadas.
Quatro Anomalias Culturais de 2025
Gunner identifica comportamentos aparentemente desconexos que, quando analisados em conjunto, revelam tensões culturais profundas na Gen Z:
1. Grupos urbanos de observação de pássaros com estética punk/DIY
Comunidades surgindo em centros urbanos americanos (Salon, Audubon)

2. O movimento "Luddite Teens"
Adolescentes rejeitando conscientemente redes sociais, usando flip phones e se encontrando em parques para conversar, ler e desenhar. Começou em Brooklyn e se espalhou para 10 clubes nos EUA e um no Brasil (CBS News, Psychology Today)
3. "Home bars" na China
Espaços comerciais projetados para replicar a experiência de morar com amigos. Apartamentos transformados em bares intimistas onde estranhos se encontram para conexão genuína. O hashtag #homebar teve 62 milhões de visualizações no Xiaohongshu (RADII, Jing Daily)
4. "Study raves" na Austrália
Sessões coletivas de estudo com DJ e música eletrônica de alta energia, fenômeno que começou em Melbourne e se espalhou para Sydney
O que conecta essas anomalias:
Todos esses comportamentos revelam a mesma tensão cultural: Gen Z está ativamente buscando experiências físicas compartilhadas como contraposição à socialização mediada digitalmente.
Estamos confundindo tendências com o que está viralizando
A pesquisadora Nikita Walia (ex-Ogilvy) analisou 200+ posts de "previsores de tendências" no TikTok em 2025. Descoberta: 73% analisam fenômenos com menos de 30 dias de existência - tempo insuficiente para distinguir ruído de padrão real.
Um exemplo real: Clubes de grito
Março 2025: O primeiro "scream club" abre no Brooklyn, isso mesmo, espaços onde pessoas pagam para gritar coletivamente
Junho 2025: O fenômeno se replica em 6 cidades americanas
Novembro 2025: Uma análise aprofundada revela um padrão mais amplo - não é sobre gritar, é sobre necessidade coletiva de catarse emocional
Janeiro 2026: A tendência real foi identificada: pessoas buscam experiências estruturadas de liberação emocional compartilhada (clubes de grito, mas também aulas de destruição criativa, sessões de choro coletivo, etc)
Se você tivesse investido seu orçamento em março baseado no momento viral "clubes de grito", teria errado completamente o alvo e ele não faria mais sentido em novembro.
Como Organizar Pesquisa Para Gerar Insights Proprietários e não gastar no Clube de Grito
Gunner propõe que as empresas organizem suas pesquisas por provocações ao invés de categorias fixas. Por exemplo:
"Como resolver a epidemia de solidão através de terceiros lugares?" (espaços sociais além de casa e trabalho)
"O que vem depois do hipster?"
"A morte do mistério na era da informação total"
Aplicação prática para 1º trimestre:
Na próxima reunião de estratégia, substitua "quais as tendências em nosso setor" por "que contradição cultural nossa marca está posicionada de forma única para resolver?"
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7 tendências de consumo que definem o que os compradores querem em 2026
Dá até medo de colocar algum relatório aqui, rs! Porém, temos um ótimo estudo da Forbes com sete tendências de consumo para 2026: consumidores priorizando pequenas indulgências em bem-estar (farmácia/beleza cresceu 9,5%), compras nostálgicas ("kidults" representam 1/3 das vendas de brinquedos), investimento em conforto doméstico (móveis +4,3% após anos de declínio), uso crescente de IA para compras (70% Gen Z) mas rejeição a conteúdo automatizado, experiências sensoriais nas lojas (fragrâncias, texturas), preferência por produtos locais (71% querem "Made in Britain"), e socialização focada em bem-estar substituindo bares tradicionais.
🔮 ORÁCULO DO MERCADO👾 Consumidor 2026: nascem as “personas de IA” que compram (e confiam) diferente. Um whitepaper global de tendências de consumo para 2026 descreve quatro novas personas de “AI consumers”, mapeando como diferentes perfis se relacionam com agentes inteligentes na hora de decidir, confiar e ser leal a marcas. 🛜 Social media 2026: o relatório de Social Media Trends 2026 da Hootsuite descreve um cenário de “culture and attention shifts”, em que Gen Alpha puxa uma cultura de caos, cortes rápidos, micro‑dramas e séries pensadas primeiro para redes. Tendências como “nostalgic remix” (anos 70 e 80 revisitados), “cozy aesthetic” e conteúdo de equilíbrio vida‑trabalho ganham força, enquanto marcas precisam responder quase em tempo real a virais impulsionados por algoritmos. 🏪 Em 2026, a SSENSE aposta numa volta da “estética COVID”: vídeos e conteúdos simples, com cara de caseiro, gravados no celular, com menos edição e produção. A ideia é que, como tudo pode ser polido e perfeito com IA generativa, a nova forma de parecer autêntico é justamente mostrar a imperfeição humana. |
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